Propósito de vida é fundamental para impactar pessoas e o mundo positivamente

Para Danielle Rainha, Chief Human Resources Officer na América Latina da Makro, autoconhecimento, relacionamento interpessoal e conhecimento técnico são essenciais para os profissionais que atuam na área de DE&I

 

Com voz potente, sorriso largo e uma energia contagiante, Danielle Rainha segue sua carreira no mundo corporativo levando por onde passa o seu propósito de vida: impactar positivamente a vida das pessoas e ajudá-las a descobrirem suas fortalezas. 

 

Com 47 anos, dois filhos, carioca da gema,nascida e criada numa comunidade do Rio de Janeiro, hoje, é membro do grupo Makro e Chief Human Resources Officer na América Latina.

 

Começou como estagiária numa indústria farmacêutica no Rio de Janeiro, passou por uma  empresa de óleo e gás. Assumiu como a primeira posição como diretora numa empresa familiar de engenharia com 10 mil funcionários. Passou por uma companhia de distribuição de gás, já como diretora executiva.

 

Brinca que primeiro contato que teve com planejamento estratégico na vida foi quando os pais decidiram investir na educação delas e dos irmãos tendo inclusive a oportunidade de estudar

fora do Brasil.

 

“A gente tem que enxergar tudo que acontece na vida da gente como uma grande oportunidade que traz aprendizagem ou potência. Não tem outra alternativa. Isto empodera muito e faz com que tenhamos a sensação de estar no lugar certo o tempo todo”, comenta. “O que me trouxe até aqui foi um investimento muito importante no meu autoconhecimento saber quem eu sou, de onde eu vim, honrar as minhas raízes e história de vida e ao mesmo tempo me abrir para o mundo. Tenho essa ambição de que todo mundo que passar por mim tenha um impacto positivo.

 

Este ano, mais uma vez o Makro Atacadista recebeu a certificação da consultoria Great Place to Work. É um selo que garante as boas práticas no ambiente de trabalho e incentivo junto aos funcionários já que são eles mesmos que fazem esta avaliação.

 

Este resultado é fruto direto do trabalho de Danielle. O Makro nasceu em 1968 na Holanda e chegou ao Brasil em 1972. Está presente em mais de 60 países e conta com aproximadamente 60 mil colaboradores. Atualmente, opera em 5 países na região, com mais de 130 lojas, sendo eles: Argentina, Brasil, Colômbia, Peru e Venezuela.

 

“O propósito do Makro é fazer a diferença na vida das pessoas. Não se resume em um lugar onde se compra e vende produtos. Praticamos o que chamamos de cartilha do respeito porque a gente acredita que se tivermos a premissa do respeito em todas as nossas relações, efetivamente, vamos transformar esse mundo no mundo melhor”, explica a executiva.

 

Com vários programas voltados para a diversidade e inclusão, o mais recente deles é o Cósmicas – Programa de Lideranças Femininas Makro, concebido pelo Instituto Tomie Ohtake. O projeto foi desenvolvido com foco em mulheres jovens, de 14 a 21 anos, prioritariamente negras, indígenas, trans e com deficiência, que residam nas periferias da capital paulista e de outras 18 cidades do Estado de São Paulo. 

 

Na sua opinião , as vantagens de implantação de programas de DE&I são:

  • aumento da capacidade 
  • melhora da economia do país à medida que você tem mais gente no mercado de trabalho 
  • produção de projetos de inovação
  • criatividade 

 

Pesquisa realizada pelo consultoria EXEC, especializada em seleção e desenvolvimento de profissionais em nível de gestão, diretoria, presidência e conselhos, realizada com 220 profissionais de cargos de alta liderança mostrou que, apesar de 83,5% dos respondentes dizerem que o assunto diversidade é muito familiar no ambiente corporativo, que ouvem falar sobre ele, quando questionados sobre o que a empresa tem feito, então, para tratar da temática, as ações efetivas ainda são realizadas por poucos.

 

Na opinião de Danielle,  “hoje é uma necessidade trazer a diversidade e inclusão dentro da nossa pauta estratégica. A cultura, o tom vai depender muito da liderança que está a frente do negócio. Esta liderança precisa ser madura e consciente para engajar as pessoas. E ninguém engaja com uma postura de super-herói pois dá até vergonha de estar perto dele. A medida que se mostra vulnerável, faz com que você consiga se conectar mais com as equipes. É essencial que haja um investimento no autoconhecimento para que a gente possa estar mais inteiro para estabelecer essas relações e, automaticamente, a cultura organizacional.”

 

Ela se define como uma líder participativa colaborativa ao mesmo tempo bastante pragmática e assertiva. Diz ter consciência que uma organização deve gerar lucro até para continuar existindo. Mas também pondera que o resultado vem através das pessoas. 

 

Quando perguntado sobre as características de um bom líder, responde: “a consistência para mim é muito importante: pensar, sentir e agir de uma forma menos contraditória possível para mim faz toda a diferença. Então procuro traduzir as minhas crenças para o meu entorno e para o ambiente no qual estou inserida”.

 

Quanto aos profissionais envolvidos com o tema de diversidade e inclusão, aponta as seguintes habilidades a serem desenvolvidas:

 

1. Autoconhecimento

Dedicar tempo para saber quem você é, descobrir quais são os seus valores, motivações, crenças que traz, preconceitos, principalmente, os inconscientes, isto tudo traz segurança para defender suas ideias, se posicionar de forma firme e lutar pelo que acredita.

 

2. Relacionamento interpessoal

É o chamado jogo de cintura. A capacidade de transitar em todos os níveis da organização, adaptando a sua linguagem e comportamento. É se conectar com as pessoas por meio de um processo efetivo de humanização em todos os níveis hierárquicos.

 

3. Conhecimento técnico

Ter o compromisso de sempre estar se atualizando sobre o tema, Buscar as referências de mercado para quem com isso ter embasamento para influenciar  as decisões dentro da organização.

O estudo do EXEC foi além e perguntou quem os entrevistados achavam que teria mais chance de chegar a uma posição de liderança dentro da empresa e quem teria pouca probabilidade de chegar lá. Do lado dos grupos mais prováveis, 63% apontaram as mulheres como mais prováveis. Para a CHR,  a definição de sucesso, sem cunho religioso, faz questão de frisar: é uma benção. “Quando a gente faz uma ação, desde pequena pequena que é uma escuta ativa com o nosso colaborador, até programas de desenvolvimento e responsabilidade social, nós estamos definitivamente trabalhando no sucesso, mas não somente da nossa organização, e sim na construção de um mundo melhor”.

 

E finaliza: “eu sou dessas pessoas que  não presta atenção em críticas, obstáculos. Só quero saber do que pode dar certo. E se olhar para minha carreira e perguntar se sofri preconceito. Sim, devo ter sofrido, mas nem percebi. Levo comigo este otimismo  e tento irradiar isto para o mundo.”

 

Quer conhecer melhor Danielle Rainha? Ouça o episódio.: “O RH como impulsionador da diversidade”.