E se você cumprisse só 15% das suas metas no trabalho? É isso que estamos fazendo com o planeta

Há apenas sete anos do fim do prazo da chamada Agenda 30, que engloba os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um estudo preparatório para a Reunião Geral da ONU, mostrou que quase metade (48%) das metas estão em estágio fraco ou insuficiente, enquanto o progresso estagnou ou retrocedeu em 37%

A Newa, assim como outras consultorias especializadas em DE&I e saúde emocional, é um exemplo de empresa que tem como missão apoiar as organizações que estão empenhadas também em gerir suas organizações seguindo os objetivos definidos pela ONU.

Carine Roos
No mundo corporativo, estamos acostumados a ter metas e cumpri-las não só por que muitas vezes estão atreladas à bônus, mas acima de tudo pelo comprometimento que mostramos com nosso trabalho. Pois, infelizmente, o mesmo não está acontecendo com a chamada Agenda 30, que engloba os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados em 2015, na cúpula de Paris, para serem cumpridos por 193 países-membros das Nações Unidas até o ano de 2030.

Há apenas sete anos do fim do prazo, um estudo preparatório para a Reunião Geral da ONU constatou que apenas 15% – sim, só 15% – serão cumpridos no prazo. Quase metade (48%) das metas estão em estágio fraco ou insuficiente, enquanto o progresso estagnou ou retrocedeu em 37%. Vale lembrar aqui uma fala do ex-secretário geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, “não existe plano B, porque não existe planeta B”. Até o fim da década, estima-se que a fome alcance mais de 600 milhões de pessoas; 575 milhões viverão em extrema pobreza; e 84 milhões de crianças estarão fora da escola.

O plano inicial limitou o aquecimento global a 1,5 grau até o fim do século para os níveis do período pré-industrial. Na tendência atual, no entanto, esse número pode atingir alarmantes 2,8 graus. Os efeitos já estão sendo sentidos por todos. Essa é uma das primaveras mais quentes da última década no Brasil. A região que será mais afetada por essa alteração climática é Manaus, capital da Amazônia, onde a temperatura irá ultrapassar 1,3 graus Celsius da média para a estação.

Além disso, pela primeira vez, em 121 anos de medição, o nível das águas do Rio Negro chegou à casa dos 12 metros, a maior seca de todos os tempos. Isso sem contar os ciclones constantes que atingem agora com frequência o sul do País. O fenômeno natural, o El Niño, tem sido apontado como o grande culpado. Mas, ele é influenciado diretamente pelas transformações climáticas recentes multiplicadas pela industrialização desenfreada. Não temos mais tempo para medidas paliativas. É hora de agirmos!

A Newa, assim como outras consultorias especializadas em DE&I e saúde emocional, é um exemplo de empresa que tem como missão apoiar as organizações que estão empenhadas também em gerir suas estruturas seguindo os objetivos definidos pela ONU. Como socióloga e mestre em Gênero, venho atuando fortemente em alguns deles como: Igualdade de gênero; Trabalho decente e crescimento econômico; Redução das desigualdades e Paz, justiça e instituições eficazes.

Para se ter uma ideia, na área que venho me aprofundando com meus estudos na LSE, o relatório mostra que o mundo não está no bom caminho para alcançar a igualdade de gênero até 2030, aliás, está bem longe disso. Estamos falando em séculos. Seguindo o ritmo atual, estima-se que serão necessários até 286 anos para fechar as lacunas de proteção jurídica e eliminar leis discriminatórias, 140 anos para que as mulheres sejam representadas igualmente em cargos de poder e liderança no mercado de trabalho e 47 anos para alcançar a representação igualitária nos parlamentos nacionais.

A pandemia foi um grande divisor de águas no tocante aos ODS de saúde e bem estar exacerbando as desigualdades existentes na saúde, levantando questões profundas de saúde mental e ameaçando o progresso rumo à cobertura universal de vacinas, seja pelos movimentos negacionistas ou ainda pela dificuldade de acesso. Um ponto que me chamou a atenção é que quase 800 mulheres ainda morrem todos os dias por causas evitáveis relacionadas com a gravidez e parto.

No que tange ao ODS 8 – trabalho decente e crescimento econômico – os desafios são enormes. Os efeitos persistentes da COVID-19, crises de custo de vida, tensões comerciais, incerteza monetária, caminhos políticos, o aumento das dívidas nos países em desenvolvimento e a guerra na Ucrânia e agora em Israel, tem atrasado significativamente o crescimento econômico global. Existe uma previsão de desaceleração já este ano do PIB Global, colocando em risco não apenas o emprego e a renda, mas também, os poucos avanços em termos de remuneração equitativa para as mulheres e de trabalho digno para os jovens.

E do lado empresarial? Como as lideranças estão analisando este cenário e o que as empresas podem efetivamente contribuir para a mudança urgente? O pessimismo também reina nas corporações. O número de CEOs que acreditam que o mundo alcançará os objetivos até 2030 é quase metade hoje (49%) dos que afirmaram ser possível um ano atrás (92%). É o que mostra o 12º Estudo de CEOs do Pacto Global da ONU com a Accenture que ouviu mais de 2.600 CEOs de 128 países, 18 indústrias e mais de 130 entrevistas em profundidade – a maior amostra de executivos, incluindo o maior grupo do sul do globo desde que a pesquisa começou em 2007.

Cada vez mais preocupados com os movimentos bruscos, 98% dos líderes concordam que sustentabilidade é assunto primordial em seus cargos, um sentimento que cresceu 15% em comparação aos últimos 10 anos do estudo.

Ainda que 96% deles entenda o papel dos ODS na agenda de sustentabilidade, e que 81% afirmam que suas empresas estão fazendo o suficiente para contribuir para os ODS, quase metade deles (43%) dizem que seus esforços de sustentabilidade foram dificultados pelo ambiente geopolítico. Eles advertem ainda sobre o impacto de contratempos convergentes para negócios e a sociedade: multilateralismo hesitante, instabilidade socioeconômica, interrupções na cadeia de suprimentos e os efeitos imediatos das mudanças climáticas.

O que sabemos, é que não há uma “bala de prata” e que empresas e governos devem concentrar esforços em ações que podem ter um impacto maior na sociedade, planeta e negócios. Devemos agir juntos e rápido!

*Sobre Carine Roos: mestre em Gênero pela London School of Economics and Political Science – LSE, a executiva é pós graduada na Faculdade Isaraelista Albert Einstein em Cultivando Equilíbrio Emocional nas organizações e atua como especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão há 10 anos. Liderando a Newa, empresa de impacto social que prepara organizações para um futuro mais inclusivo por meio de sensibilizações, workshops, treinamentos e consultoria de diversidade. Carine tem como missão preparar líderes para que a Diversidade e a Inclusão sejam uma realidade imediata nas organizações.

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