Na nova economia, a ordem é colaborar e ser transparente

Nova economia entrou de vez para o vocabulário do mundo corporativo. Na academia, se define como uma expressão de uma diferente lógica de mercado, que deixa de se concentrar em produtos para priorizar serviços. Tem como marca uma cultura centrada em pessoas, junto a impactos expressivos da tecnologia, mudanças velozes e colaboração.

Na nova economia os modelos de negócio assumem maior flexibilidade para personalizar soluções conforme as preferências do usuário e podemos enumerar cinco características básicas: a transição de produtos para serviços, a tecnologia, a colaboração, o valor do usuário (ou consumidor) e a velocidade de escala. 

Estamos vivenciando essa era desde o final dos anos 1990, mas, hoje, alguns conceitos disruptivos estão em alta. Nos últimos anos, Diego Barreto, CFO e VP de Estratégia do iFood, se encantou com o tema  por perceber que era uma oportunidade para que pessoas, não só de famílias privilegiadas, pudessem alcançar o sucesso.

Daí surgiu o livro “Nova Economia – Entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasileiro”,

Ele tem MBA pelo IMD (Suíça), com foco em estratégia e liderança, é especialista em finanças pela Fipecafi/USP e também bacharel em direito pela PUC-SP.  Mentor de mais de 30 startups em diferentes países, listou  para o blog da Somos Newa  alguns conceitos sobre a nova econmia

Pandemia 

O interessante é observar se os novos hábitos são reais ou impostos pela situação. A gente tem que entender se passamos pelo home office por que a gente assumiu isto de verdade ou alguém mandou. A mesma coisa é a nova economia. Está relacionado a um novo comportamento das pessoas e das empresas, a uma questão chamada unidade. Na pandemia, empresas que eram reconhecidas por dinossauros poderiam ter feito mudanças 15 anos atrás e só estão ocorrendo agora porque tem uma arma na sua cabeça.

Colaboração

Quero fazer um paralelo entre a velha economia e a nova economia. Na velha economia, os concorrentes eram tratados como inimigos. Hoje, existem oportunidades de colaborarem. No nível teórico, tenho certeza que o movimento de colaboração vem por aí. Porque o processo de digitalização de uma economia, permite, pela primeira vez, a montagem de um ecossistema. Um ecossistema são partes individuais que sobrevivem, ganham e até se potencializam em alguns casos até sobrevivem por que existe a relação direta com a tecnologia. A maior digitalização da economia brasileira permite que mais empresas farão isso, mas isso não é grande.

No lado real,  a nossa história do ponto de vista sociológico, não fala disto. As pessoas se enganam dizendo que o brasileiro é feliz, mas o empresário brasileiro não é colaborativo e nem entende o valor da colaboração. Ele tem de competir, mas ele pode competir numa esfera que têm níveis de colaboração que agregam para todo mundo.

Característica da liderança 

Eu vou me ater a um uma característica aqui que para mim é a principal e a partir dela emana todas as demais: a consciência da sua limitação. Se não tiver consciência da vulnerabilidade, os líderes deixam de encarar a verdade. Às vezes, nem é por má fé, mas por vergonha. Quando você reconhece a sua limitação, reconhece a necessidade de evoluir e esse é o líder da nova economia. Quando você olha da ótica da expansão da consciência, todos os temas entram aqui. Desde dos que envolvem as questões comportamentais até questões técnicas. Quanto mais aumenta essa consciência maior a capacidade de tomar decisões melhores.Isso implica, na sequência, em  transparência. Falar sobre isso não me faz sentir fraco, por isso é esse espectro para me define o líder da nova economia. 

Transparência

A nova economia é sobre a agilidade, que implica em transparência. Porque quanto mais cedo você tem uma informação, encurta o ponto do problema e o ponto a solução pois eles se encontram mais rápido. São ambientes que vão fomentar muito mais o processo de transparência do que o da velha economia. Não existe um caminho ideal. O que sei é que existem muitos caminhos. O que me interessa é ver qual a melhor. Existe uma premissa central para mim aqui que suporta qualquer opção é a transparência, pois só podemos saber se deu certo se é possível aferir os resultados.  Hoje, o mercado vem pressionando as empresas pedindo as publicações de números. Assim, podemos saber se o caminho é bom ou não.

Trabalho

O Brasil precisa encarar uma discussão que é a existência de uma nova forma de trabalho. O mundo mudou: mais pessoas empreendem, mais pessoas trabalham expostas à demanda, entre outras coisas. O Brasil precisa de um terceiro enquadramento de trabalho. Temos o empreendedor de uma ponta, os contratados pelo regime da CLT no outra e uma outra camada que precisa também de proteção. Precisamos trazer a proteção social mínima para pessoas que optem por um trabalho de extrema flexibilidade mas que não é o empreendedor. Você, enquanto empreendedor, corre uma série de riscos que uma pessoa que está exposta a um trabalho de demanda  não tem. A gente tem que fazer é parar com essa polarização que não leva a lugar nenhum.  

Compromisso

O brasileiro precisa aprender mais a ter compromisso. No sentido de que duas  num as duas pessoas estão falando a mesma coisa e a partir dali a gente pode discordar do como. Isso é bom. Vamos ter um pouco mais de paciência com o outro. É tão bom a gente poder sair de uma conversa para refletir. Isso mostra o quanto você tem para crescer. Quando você sai de uma conversa que convenceu, você se acha no ápice e pra cima não tem mais nada.

Quer saber mais? Escute o episódio do podcast “Qual é o valor da economia colaborativa nas empresas?” na qual Carine Roos conversa com Diego Barreto.