Como se tornar uma pessoa inclusiva

Imagine um mundo no qual conflitos não existissem. Se todos pensassem de maneira igual, não haveria estímulo para a criatividade. É na diversidade de pensamentos, histórias de vida, posicionamentos e crenças que o ser humano supera obstáculos e desenvolve a sua capacidade de resolver problemas.

Assuntos como diversidade e inclusão se tornaram temas essenciais no mundo corporativo e, mesmo com um longo caminho a percorrer, muitas organizações já começam a promover ações mais inclusivas.  

Aliás, resolução de problemas complexos é uma das 10 competências profissionais mais importantes para 2025, elencadas pelo Relatório Futuro do Emprego, do Fórum Econômico Mundial. Trabalhar com pessoas (liderança e influência social), autogestão, criatividade, resiliência e flexibilidade também estão entre as habilidades citadas no relatório.

Há uma grande pressão social e econômica para que as empresas promovam a diversidade e incluam no time de colaboradores grupos de pessoas de diferentes etnias, orientações sexuais, idades, gêneros, competências.

Pesquisas e estudos de consultorias renomadas mostram que a diversidade só traz benefícios para as corporações, inclusive financeiros. Uma pesquisa da consultoria McKinsey mostra, por exemplo, que empresas com maior pluralidade em seus times alcançam resultados até 21% maiores que aquelas em que esta questão não é uma prioridade. 

Porém, esse não é um processo fácil. Na hora de implementar uma cultura inclusiva, as organizações encontram diversos desafios que precisam ser superados. E um deles pode ser você.

O preconceito em relação aos grupos sub-representados é uma construção social que pode se manifestar de forma muito sutil e, até mesmo, inconsciente. Isso torna a tarefa da criação de uma cultura inclusiva mais árdua, uma vez que os próprios funcionários — inclusive você — podem não perceber as atitudes de preconceito que estão reproduzindo.

“Diversidade é chamar para o baile, inclusão é chamar para dançar”

Verna Myers

Na palestra TED acima, a executiva Verna Myers nos convida a reconhcer os nossos preconceitos. Em seguida, faz um chamado para que nos aproximemos dos grupos que nos incomodam para superar esses preconceitos.

Nas palestras que eu faço em grandes empresas sobre diversidade e vieses inconscientes, o convite é o mesmo. Para que consigamos uma real transformação nos nossos comportamentos, o primeiro passo é tomar consciência dos vieses. Precisamos parar de negar os nossos vieses, deixar de querer parecer pessoas boas e nos olhar no espelho como as pessoas reais que somos. Cheias de crenças e estereótipos. Carregadas de preconceitos. Qual o seu padrão de líder, colega, amigos? Quem são as pessoas que você confia? De quem você tem medo?

Em geral, o nosso padrão preferido é o homem branco. 70% das pessoas que realizam o teste de vieses inconscientes tendem a associar homens brancos a palavras positivas e homens negros a palavras negativas. Aceitar que fomos educados em uma cultura carregada de preconceitos e que não estamos imunes à essa educação é o segundo passo para a transformação.

Por fim, assumir a responsabilidade por questionar as nossas crenças, abrindo espaço para o novo, o diferente, o singular em todas as áreas da nossa vida. Se perguntar: quem são as pessoas do seu círculo íntimo? Quem são as pessoas que jantam na sua casa? Observe se existe diversidade na sua família e no seu círculo de amigos e colegas de trabalho.

À princípio, desafiar o status quo não será confortável. Contudo, se você quer ser uma pessoa mais inclusiva, você não ficará confortável antes de superar o desconforto. É necessário fazer um esforço intencional para criar conexões mais diversas. Aos poucos, vamos percebendo que as nossas diferenças não superam a nossa humanidade compartilhada.

Quando conseguimos construir conexões verdadeiras e profundas com pessoas diferentes de nós, uma chave interna muda e nos tornamos verdadeiros aliados e agentes de transformação. Nos tornamos defensores, levantamos a nossa voz, se torna impossível não notar e não agir diante de preconceitos e discriminações.

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.

Dr. Martin Luther King

Hoje (29/01) é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, data que marca a luta pela cidadania e respeito às travestis, e aos homens e mulheres trans. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo há mais de 10 anos. O País possui mais que o dobro de assassinatos do segundo colocado.

Mapa dos Assassinatos de transsexuais e travestis de 2019, publicado anualmente pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA) no Dia Nacional da Visibilidade Trans (29 de janeiro) revelou um total de 124 mortes, sendo 121 travestis e mulheres transexuais e três homens trans. O Mapa também revela que 82% das vítimas eram pretas ou pardas, mostrando ainda um evidente racismo atrelado à questão.

Gandhi dizia que o futuro da nossa sociedade depende das pequenas mudanças que podemos fazer no aqui e agora, nos comprometendo com os princípios do amor e da justiça. Que o ódio e a intolerância são os inimigos do entendimento perfeito.

A violência é o medo dos ideais do outro

Esta é uma das mais famosas frases de Gandhi e que define a essência da sua filosofia: não tenha medo do diferente, não tenha medo daqueles que pensam de forma diferente, daqueles que têm uma opinião contrária à sua. Essa angústia em relação ao “outro” é um sintoma de fraqueza.

Sejamos a mudança que queremos ver no mundo.

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