Entender as emoções diferencia uma liderança

A humanização da figura da liderança tem se tornado pauta em diversos debates sobre ambientes psicologicamente seguros. Mas ainda não sabe a importância do entendimento das emoções para as relações pessoais e profissionais. 

“O adulto não sabe dar nome ao que sente. Muitas vezes, quando dizemos que estamos estressados, temos uma maior granulidade do que isso. Quando eu tinha 20 e poucos anos, me sentia bem, mal ou esquisita. Este era todo o meu vocabulário de emoção e nenhum dos três são emoções”, afirma a  educadora Tônia Casarin.

 

Para sanar este problema e ajudar a construir pessoas mais ligadas às suas emoções, escreveu dois livros para crianças de 0 a 100 anos: “Tenho Monstros Na Barriga” e “Tenho Mais Monstros Na Barriga”  com 8 tipos de emoções cada.  Segundo pesquisas americanas, um adulto consegue nomear até 4 emoções, ou seja, dá para quadruplicar o repertório. 

 

“Eu chamo de alfabetização emocional ouvir nosso corpo, entender o que estamos sentindo e buscar ferramentas que possam dar nome às emoções”, relata a mestre em Desenvolvimento Humano e Liderança pela Universidade de Columbia, em Nova York. “Ao falar o que estamos sentindo, a própria intensidade da emoção diminui. Se você não tem a linguagem, não consegue se comunicar. Isto é terrível. O  mundo hoje é feito de relações, a gente se relaciona o tempo todo.”

 

São competências não técnicas, mas “humanas”, que ajudarão os “profissionais” do futuro a se diferenciarem das máquinas. De quebra, também ajudarão as pessoas a se adaptarem a cada nova tecnologia que surgir pela frente – e que afeta suas vidas, relações sociais e trabalho. Daqui a cinco anos, por exemplo, de acordo com o World Economic Forum, 35% das habilidades que hoje são consideradas essenciais vão mudar e 80% delas estão relacionadas às atitudes.

 

Apesar de estarmos vivendo um movimento de humanização do mundo,  ainda somos muito presos às formas antigas de liderança, de controle, onde não se leva emoção para o trabalho.

Na sua opinião, “já vinha vindo uma tendência de humanização e a pandemia só veio pra jogar na nossa cara aquela linha tênue entre o profissional e o pessoal, que definitivamente agora não existe mais. Não tem como negar o lado humano. E até para o próprio líder, ele também é um ser humano, vamos combinar. Ele teve seus desafios,  provavelmente tem filhos, teve de lidar com a questão de dividir novas tarefas da casa.”

Para quem exerce o papel de liderança, são três caminhos apontados pela pesquisadora neste aprendizado:

 

  1. A liderança deve ser clara e transparente

O líder tem que ser capaz de explicar o  que sabe e quais são as estratégia da empresa. Ao mesmo tempo que se mostra vulnerável, admitindo para ele e para o time não ter sempre a resposta certa e perfeita.

     2. O líder deve ser proativo

Abrir espaço para convidar vozes no time para falar. Usar a boa e velha “tecnologia” das perguntas. Não esperar que as pessoas venham se abrir se antes não era este o modus operandi dele e da empresa.

     3. Estar aberto a ouvir e não reagir

Quem está no comando, acha que deve sempre ter uma resposta pronta para qualquer situação. Não é este o caso no cenário atual. Respirar fundo e responder com verdade e não apenas sendo uma reação estimulada pelo piloto automático.

 

O cérebro humano tem uma capacidade chamada de neuroplasticidade que é a de continuar aprendendo ainda que sejamos adultos. “Essa é uma das belezas do ser humano e então, não tem desculpas. Modificar a cultura das empresas está em movimento, mas longe de ganhar tração”, comenta Tônia. “O que falo sempre é que a emoção tem impacto nas relações corporativas.  É um dado para usar para tomada de decisão. Ignorá-la é ignorar a natureza humana para aumentar performance e resultado. “

 

Ela sabe o que diz. Foi vencedora do Brazil Global Impact Challenge, promovido pela Singularity University – prêmio por seu trabalho na busca de soluções para os dilemas da educação do século 21, – com um projeto que apresenta uma metodologia para qualificar professores a ensinarem habilidades socioemocionais nas escolas. 

 

Saiba mais sobre o método A.N.C.O.R.A,  assistindo o TEDex Petrópolis.

TED TALK – Tonia Casarin

Para saber mais sobre vulnerabilidade masculina:

 

A máscara que você vive – Documentário